Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

{122} Herberto Helder (2)

Conforme prometido continuo :

 

 

 

 

Em cada mulher existe uma morte silenciosa. 

E enquanto o dorso imagina, sob os dedos,

os bordões da melodia,

a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,

desfaz-se em embriaguês dentro do coração faminto.

-- Oh cabra no vento e na urze, mulher nua sob

as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,

mulher de pés no branco, transportadora

da morte e da alegria.

 

Dai-me uma mulher tão nova como a resina

e o cheiro da terra.

Com uma flecha em meu flanco, cantarei.

E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,

cantarei seu sorriso ardendo,

suas mamas de pura substância,

a curva quente dos cabelos.

Beberei sua boca, para depois cantar a morte

e a alegria da morte.

 

Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro

pescoço de planta,

onde uma chama comece a florir o espírito.

À tona da sua face se moverão as águas,

dentro da sua face estará a pedra da noite.

-- Então cantarei a exaltante alegria da morte.

 

 


                                                            ¶

publicado por Transdisciplinar às 17:55
link do post | comentar | ver comentários (12) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.links

.tags

. todas as tags

.favorito

. [32] CULTURA COMBINATÓRI...

. [30] Conhecimento

. Ainda sobre o Dharma (2)

. Ainda sobre o Dharma

. Citando...

. FRAGMENTOS PARA UM DEBATE

. CULTURA COMBINATÓRIA (2)

. CULTURA COMBINATÓRIA (1)

.posts recentes

. {122} Herberto Helder (2...

blogs SAPO

.subscrever feeds