Sábado, 2 de Agosto de 2008

[86] Forum de discussões

 

Continuo a explorar as possibilidades que me são oferecidas pelo meu blog francês -- ou melhor : pela plataforma em que ele se insere.

 

Comecei por criar uma "comunidade".

 

Uma explicação prévia : lá, cada post  é duplamente situado ou classificado.

Em primeiro lugar o autor escolhe a "categoria" que lhe quer atribuir (dentro de uma lista que ele próprio definiu e que serve para agrupar tematicamente os posts que publica).

Em segundo lugar escolhe a "comunidade" em que quer que ele surja -- o que condiciona parcialmente o público que irá primordialmente vê-lo. Para tal tem que se ter inscrito nessa comunidade, podendo fazê-lo em várias e podendo ser recusado pelo "animador" da comunidade (eu, por exemplo, já recusei um "blogueur" porque, antes de o aceitar, fui ver o blog dele e entendi que de todo nâo se enquadrava no espírito da minha comunidade, tal como está definido na sua descriçao e nas suas palavras-chave).

Por exemplo : eu criei a minha própria comunidade, de que vieram a fazer parte outros blogs, mas nem sempre publico lá -- depende dos conteúdos -- porque sou também membro de mais quatro. Digamos que as comunidades são. de certa forma, "especializadas" e constituem "redes".

 

Mas vamos ao que me traz aqui hoje. Explorando, como acima disse, as potencialidades da plataforma "over-blog", criei hoje um "forum de discussões" a que chamei "Sabedorias". Como o nome indica, o forum serve para discutir. Discutir o quê ? Com um título destes, praticamente tudo o que um grupo de pessoas queira discutir. Um forum pode comportar vários grupos, cada um com a sua temática específica. (Que pode ser até : não há tema, vamos "ao molho" e depois logo se vê...)

Mas uma coisa é obviamente necessária : pessoas.

 

E já agora a questão da língua. Num forum criado numa plataforma francesa é natural que a maior parte dos grupos use o francês. Mas nada impede que um grupo de portugueses se constitua como tal e decida discutir em português. Pela parte que me toca, como"administrador" (é assim que me chamam) do forum, não vejo nisso qualquer inconveniente.

 

Outra coisa : tudo isto é gratuito. (Como "blogueur" até posso, em certas circunstâncias, receber direitos de autor...Essa uma das razões -- não sei se já repararam -- porque tenho os meus dois blogs, o de cá e o de lá, protegidos por um copyright.)

 

Já estamos em Agosto, em plena silly season, nada é para se levar muito a sério. Para já. Mas vou lançando as minhas sementes e, na rentrée cá estarei para ver se recruto alguém para o "meu" forum.

 

Pensem nisso. Boas férias. E até à volta!...

 

P.S.-- Esquecia-me do mais importante : o endereço :

           transdisciplinaire.forumdediscussions.net/

publicado por Transdisciplinar às 07:12
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

[70] Retomando...

Abro o meu blog e dou-me conta de que há uma semana que não escrevo aqui.

É verdade que foi uma semana muito cheia (quem quiser ter um ideia pode ir ver a minha última resposta a um comentário de uma "amiga"no post anterior a este) e, de resto, muito cheia de computador. Só que com mails e não posts. Computador que me deu muitas chatices. Nem me atrevo a dizer os nomes que lhe chamei...

 

Mas houve um outro motivo para não escrever. É que estava expectante, a ver que reacções tinha ao que aqui escrevi sobre a transdisciplinaridade e à minha criação de uma comunidade com esse nome no programa ORKUT. Ora as respostas, aqui como lá, foram várias, mas a maior parte afinadas pelo mesmo diapasão : muito interessante, mas agora não tenho tempo, vou pensar e depois digo alguma coisa, etc., etc..Portanto neste momento o grupo confirmado é mínimo (nem justifica chamar-lhe comunidade).

Decididamente escolho mal os sítios para as minhas iniciativas. Provavelmente farei o que já fiz quanto à "cultura combinatória" (desisti de falar mais dela aqui e, no caso vertente, vou escrever um longo artigo para uma revista da especialidade.) Mas perco, com isso, aquilo que pretendia e que era ter um espaço de discussão viva de ideias, dinâmico e participado.

Na questão  da transdisciplinaridade isso custa-me particularmente porque o quadro conceptual presta-se especialmente ao tratamento muito abrangente dos mais variados assuntos, nos mais variados campos, como decorre da Carta da Arrábida (que nem sei se alguém terá tido a curiosidade de ir "espreitar"...).

Para já, já quebrei o hábito do post quase quotidiano. Assim como a consulta compulsiva dos posts alheios. Não se estranhe, pois, a minha relativa ausência da blogosfera nacional. Neste momento -- e salvo reviravolta inesperada da situação -- vou andar mais por outras bandas . (Ah, já me esquecia : criei um blog em França. Talvez por aí consiga o que não obtenho cá.)

 

Saudações blogueiras e até mais ver.

 

 

 

publicado por Transdisciplinar às 23:20
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

[44] Ainda sobre o Dharma (5)

 

    Resolvi publicar este post para chamar a atenção para a existência do Instituto Mind and Life. Foi fundado em 1988, para assegurar a organização regular de encontros entre o Dalai Lama e cientistas ocidentais. De resto, esses encontros já vinham tendo lugar, mas um pouco ao sabor das circunstâncias. Assim, alguns dos participantes resolveram, sempre com o acordo do Dalai Lama, criar o que começou por ser o projecto Mind and Life.

       O primeiro encontro decorreu em Outubro de 1987, em Dharamsala, na Índia (cidade onde o Dalai Lama tem residência desde que se exilou). Os resultados foram de tal forma encorajadores que se partiu para a criação do Instituto.

 

 

 

        Embora tenham sido muitas as colaborações havidas para essa criação, existem dois nomes que é indispensável pôr em realce. Um é o do americano R. Adam Engle. Ele foi o primeiro Presidente do Instituto e teve a seu cargo a complicada organização logística dos encontros. O outro é o do chileno Francisco J. Varela. Doutorado em Biologia por Harvard, especializado em neurobiologia e epistemologia, trabalhando em Paris (C.N.R.S.), coube-lhe a coordenação científica dos trabalhos. Muito conhecido nos meios científicos por causa das suas publicações e dispondo de muitos contactos em várias áreas do conhecimento, ele trabalhou afincadamente para que os encontros Mind and Life fossem um sucesso, bem demonstrado pelos livros a que deram origem. Infelizmente faleceu há pouco, precocemente.

       O nome do Instituto foi escolhido cuidadosamente para designar bem a interface, o mais frutuosa possível, entre a ciência ocidental e a tradição búdica. Dada a sua natureza, não é de espantar que os primeiros encontros recoressem sobretudo a especialistas das neurociências (o "nosso" António Damásio participou num deles) e das chamadas ciências cognitivas.  Pouco a pouco os temas foram mudando e, a partir de certa altura, além dos filósofos, dos psicólogos, dos psicanalistas, dos linguistas ou dos antropólogos, encontravam-se também especialistas em astrofísica, em cosmologia ou em física quântica. No fundo, nenhuma área é dispensável quando, como disse o Dalai Lama num dos encontros, «(...) nós não aderimos ao sentido literal das palavras de Buda quando elas são refutáveis por uma prova válida».

       Aqui convirá apontar duas precisões semânticas : a primeira é búdica, a segunda é ocidental. A búdica tem a ver com a palavra , em sânscrito, dharma. O termo é altamente polissémico : tanto significa o ensinamento (o Dharma do Buda), como o conhecimento ou a sabedoria, como ainda a via, o caminho, para os alcançar. E poderíamos continuar...

       A segunda remete para um problema relativo ao francês. Com efeito, eles não têm substantivo para o nosso mente (ou o inglês mind). O equivalente francês é esprit. Existe o adjectivo mental (que, por vezes, é substantivado), mas o que é corrente é usarem a palavra esprit. Assim não podem distinguir entre mente e espírito. O que, quando está em causa o budismo, é particularmente lastimável. Voltando a citar um Lama (que, entretanto, foi "promovido" a Rimpoché -- para quem sabe o que isto significa...) : « O budismo não é materialista nem espiritulista, é realista e experimental ».

       Completo com : no budismo não há credo, nem dogma, nem Deus.

 

 

 

publicado por Transdisciplinar às 01:39
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Domingo, 6 de Abril de 2008

Desabafo

    Desde que desisti de publicar aqui textos  meus ( não obtinha comentários nenhuns -- só agora que já "navego" há um pouco mais de tempo é que me dei conta da improbabilidade de  isso acontecer -- e o que eu queria era  discuti-los ) , passei a "postar" citações. E não me tenho dado mal com isso. Tenho é gasto imenso tempo a ler ( reler ) textos antigos ( e dou-me conta da utilidade do meu hábito de sublinhar, a quatro cores, os textos de não-ficção que me interessam ). Agora ando a reler Fernando Gil ( fiz-lhe uma breve alusão num dos meus primeiros posts ), porque não desisto de citá-lo. Cheguei ao ponto de recuar até ao seu primeiro ensaio publicado ( foi terminado em 1960 e editado no ano seguinte -- e conservo a cópia que ele teve a amabilidade de me dedicar ). O difícil é  encontrar,  no meio  de uma  obra tão vasta,  excertos  que se justifique  "postar"  ( e que, simultaneamente, tenham algo que ver com as minhas próprias preocupações ). Confesso que estou um bocado cansado. E por aqui me fico hoje ( sem citações, desta vez ! ).

publicado por Transdisciplinar às 22:37
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007

FRAGMENTOS PARA UM DEBATE

 
                                                                                                 O concreto é o abstracto
                                                                                                tornado familiar
pelo uso.  

                                                                                                 PAUL LANGEVIN

                                                                                                           
                                                                                                                
                                                                                                Os sistemas não estão na natureza,
                                                                                                 eles estão no espírito dos homens.
                        

                                                                                                 CLAUDE BERNARD

 

    O texto que se segue, e que uso como pretexto para um debate, tem tido uma vida atribulada. Escrito em Maio de 2000, começou por ser uma nota de rodapé, de cinco linhas. para comentar um termo que se me deparou, ao consultar, quase por acaso, um autor pouco conhecido, Roberto Crema, num livro que me veio parar às mãos com a indicação de nele procurar certas passagens. O termo era transmodernidade  [Roberto CREMA (1995), Saúde e Plenitude; São Paulo,Summus : passim]. Coisa puxa coisa,  ideia puxa ideia, e aquela nota de rodapé ao fim de três dias (ia-lhe mexendo ao mesmo tempo que avançava no artigo principal) tinha 25 linhas. Tinha ganhado vida própria, tinha-se tornado muito complexa (podiam corresponder-lhe 28 palavras-chave) e, assim, já não servia o seu propósito inicial. (Foi substituída, no seu artigo de origem, por uma pequena nota sem qualquer relevância.)

 

    O que fazer dela? Fi-la circular por alguns amigos e deles recebi  as reacções mais díspares.Passaram anos e a nota ficou na gaveta. Até que, recentemente, a reencontrei com agrado, porque nela tinha condensado (ultra-condensado, e por isso ela é de difícil leitura) muitas das minhas preocupações epistemológicas da época. Inpublicável tal como está, aproveito agora a (para mim muito recente) liberdade da "blogosfera" para a dar a conhecer a mais pessoas e para suscitar um debate (daí o título) sobre o conteúdo deste texto.

 

 

 

                                                         O TEXTO/PRETEXTO

 
 
 
 
 
 

 
    O ponto de partida é o termo transmodernidade. Não é este o local para me situar na querela modernidade vs. pós-modernidade.Cinjo-me, aqui, a indicar que a noção de transmodernidade sustenta um nexo de circularidade acausal com a postura transdisciplinar. Na forma como a(s) concebo -- e só para dar alguns exemplos entrosam-se nela(s) modos de operar caracterizados por transgressões re-criativas (e, aliás, recreativas), por pontes e translacções conceptuais com base em deslocações topológicas   de referenciais transteóricos e por trans-posições normativas suportadas pela reflexividade para-epistemo-metodológica.
  (Tais procedimentos podem utilizar proficuamente as virtualidades heurísticas das explorações semânticas e hermenêuticas, incluindo os jogos lexicais , e constituem portas para novos discernimentos epistémicos .)
    Esta posição parece-me consentânea com a tese que postulo desde 1964 de que o real é, primordialmente ,magmático ( o que, diga-se, leva, por efeito da re-colocação das problemáticas da complexidade / caos , a situações quase-aporéticas em matérias do foro da validade externa , e a repensar temas como os da verosimilhança ou da falsificabilidade , transcendendo as concepções correntes da epistemologia mainstream ).
    E, por isso mesmo , me parece que os diferentes níveis / tipos da realidade ou as diferentes realidades , sem esquecer , como é óbvio , os planos do imaginário , do simbólico e do sagrado ( e a intelecção do uno e da totalidade ) relevam não só do enigmático como do paradoxal , e são incomensuravelmente inacessíveis , dadas as limitações antropológicas do campo da cognição ( ainda que expandida ), mesmo com o desejável recurso a ( e confronto com ) sabedorias acientíficas , características daquilo mesmo a que chamo "transdisciplinaridade alargada".

 


    Estas são questões complexas , que aqui apenas foram afloradas e que  requerem largos desenvolvimentos. É o que farei quando as circunstâncias o  proporcionarem.

 

 

 

 

 

                                                          CODA

 

    O texto / pretexto aqui está . Fico  à espera de reacções para ver se vale a pena desenvolvê-lo.

 

 

 

Saudações transdisciplinares.

publicado por Transdisciplinar às 09:05
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