Sábado, 18 de Outubro de 2008

{116} Aviso

Há mais de uma semana que não escrevo nada aqui. (No meu último posts limitei-me a pôr um vídeo.) O mesmo se passou com o meu blog françês. O motivo é simples : estou a escrever um artigo para uma revista científica sobre um tema que comecei a tratar aqui, mas que era demasiado rebarbativo para um blog. Refiro-me à "cultura combinatória".

Basicamente há uma questão de tempo. Mas trata-se principalmente de uma questão de concentraçao. Inovar conceptualmente é dificilmente compatível com dispersões da atenção. E a opção é óbvia : sacrifico a actividade bloguista :posts, comentários, respostas, etc..

De modo que venho pedir desculpa a quem estava habituado à minha presença na blogosfera. Pode acontecer que de vez em quando dê um salto aqui, mas nem isso prometo.

Quando tornar a estar disponível reaparecerei.

Até breve   

                                                                  José-Carlos

publicado por Transdisciplinar às 19:28
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

[70] Retomando...

Abro o meu blog e dou-me conta de que há uma semana que não escrevo aqui.

É verdade que foi uma semana muito cheia (quem quiser ter um ideia pode ir ver a minha última resposta a um comentário de uma "amiga"no post anterior a este) e, de resto, muito cheia de computador. Só que com mails e não posts. Computador que me deu muitas chatices. Nem me atrevo a dizer os nomes que lhe chamei...

 

Mas houve um outro motivo para não escrever. É que estava expectante, a ver que reacções tinha ao que aqui escrevi sobre a transdisciplinaridade e à minha criação de uma comunidade com esse nome no programa ORKUT. Ora as respostas, aqui como lá, foram várias, mas a maior parte afinadas pelo mesmo diapasão : muito interessante, mas agora não tenho tempo, vou pensar e depois digo alguma coisa, etc., etc..Portanto neste momento o grupo confirmado é mínimo (nem justifica chamar-lhe comunidade).

Decididamente escolho mal os sítios para as minhas iniciativas. Provavelmente farei o que já fiz quanto à "cultura combinatória" (desisti de falar mais dela aqui e, no caso vertente, vou escrever um longo artigo para uma revista da especialidade.) Mas perco, com isso, aquilo que pretendia e que era ter um espaço de discussão viva de ideias, dinâmico e participado.

Na questão  da transdisciplinaridade isso custa-me particularmente porque o quadro conceptual presta-se especialmente ao tratamento muito abrangente dos mais variados assuntos, nos mais variados campos, como decorre da Carta da Arrábida (que nem sei se alguém terá tido a curiosidade de ir "espreitar"...).

Para já, já quebrei o hábito do post quase quotidiano. Assim como a consulta compulsiva dos posts alheios. Não se estranhe, pois, a minha relativa ausência da blogosfera nacional. Neste momento -- e salvo reviravolta inesperada da situação -- vou andar mais por outras bandas . (Ah, já me esquecia : criei um blog em França. Talvez por aí consiga o que não obtenho cá.)

 

Saudações blogueiras e até mais ver.

 

 

 

publicado por Transdisciplinar às 23:20
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

[50] Continuando à balda...

A julgar  pelos   comentários, isto de andar "à balda" resulta... Estou noutra noitada (neste momento são 5,30 mais coisa menos coisa).

Mas hoje ando a remoer numa ideia. Em termos imediatos resulta de uma observação de uma "amiga".

Parentesis : é espantoso como a blogosfera passou a ter um lugar tão relevante na minha vida actual. E nem sei se será muito saudável !

Voltando à tal ideia : em palavras simples pode formular-se pela contraposição Ocidente/Oriente. Quem acaso siga o meu  blog não se espantará com esta questão, tal tem sido a minha insistência no tema do Dharma. Mas isso não evita que me interrogue sobre até onde é legítimo, apropriado, adequado, pertinente, etc, etc., abordar aqui estas matérias.  Em primeiro lugar, em termos "internos" : p.e. um budista é suposto não fazer proselitismo. Isto é : responde, se questionado, mas não faz missionarismo. Em segundo lugar, em termos "externos" : será que do que tenho dito (escrito) resultará algum esclarecimento útil para quem me lê ? 

Creio duro como ferro que do conhecimento das sabedorias orientais resultará um enriquecimento notável para as mentes ocidentais (ora aqui está uma boa ocasião para "vender" a minha cultura combinatória, agora à escala civilizacional...). Mas terei "comprador" ? E um blog será um meio oportuno para este fim ?

A Net passa por ser a via aberta para todas as mensagens. Mas como medir a sua eficácia em cada caso ? Pelos comentários ? E quem lê mas não se dá ao trabalho de comentar ? 

Retomando a díade Ocidente/Oriente, deixo um desafio a quem acaso me ler : digam-me (se quiserem, bastam duas ou três palavras) se acham que vale a pena continuar a ter nos meus temas o das filosofias de vida (não lhes chamo religiões  pelos motivos que estão claros no vídeo do meu post [48] ) orientais.

 

E agora mudando completemente de assunto : política. (É difícil fugir dele neste fim-de-semana...).

Tive uma interessante troca de ideias com Sofia Loureiro dos Santos (como ainda não aprendi a meter links nos posts resta-me indicar que o seu blog se chama "Defender o Quadrado" e a tal troca está nos comentários ao post "Manipulações" de 31 de Maio).

Coitada da Drª Ferreira Leite... No que ela se foi meter ! Mas merece que se lhe reconheça a coragem. Quando já tem idade para deixar os outros andarem a sacanear-se, vem a terreiro e afronta a tarefa de tentar pôr de pé um partido que não tem ponta por onde se lhe pegue. Quem tem razões para estar contente é Sócrates. E Manuel Alegre que lá vai fazendo as suas movimentações. Quanto a Mário Soares, continua de pedra e cal. E Cavaco Silva, não posso deixar de me espantar com o que ele aprendeu desde a Figueira da Foz -- esperava bem pior.

Quanto a Santana Lopes a única coisa de que gosto nele é continuar a usar a sigla PPD -- nunca consegui engolir que um partido daqueles se intitulasse PSD. É preciso não saber nada de História Política para aceitar o dislate...

Já agora uma sugestão : ponham os jovens a estudar (além do inglês e da informática)  um pouco de Ciências Políticas, a ver se, chegada a sua vez, fazem um pouco menos de asneiras que os mais velhos...

Por falar em jovens dou-me conta de que eu próprio caí na pecha que tanto censuro : mencionei mais os partidos do que os cidadãos (felizmente isso não aconteceu na tal troca de ideias que acima referi). Quando são os cidadãos que devem estar no cerne das nossas preocupações políticas. Os partidos, como todos os aparelhos, tendem a olhar para os seus próprios umbigos. As pessoas, para eles, são sobretudo votantes (a propósito : tens as quotas em dia ? estás recenseado ?), quando deveriam ser a  primeira e última razões da actividade dos estadistas e outros detentores de cargos políticos. E que tal  chamá-las a participar ? Há tanta coisa na "coisa pública" em que de mero objecto se pode passar a sujeito... Bastaria gastar um pouco da imaginação usada nas manobras de bastidores para criar espaços de reflexão e participação directa na resolução de problemas (políticos, pois então).

 

Também aqui um pouco de sabedoria oriental não faria mal nenhum. Porque, no fundo, é sempre de conhecimento que se trata. E a política exige uma subtileza que se enquadra muito bem nas filosofias do Extremo-Oriente.

Termino com esta nota sobre o conhecimento, no seu sentido mais lato. Porque ele é o alfa e o ómega da Vida.

 

publicado por Transdisciplinar às 05:27
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

[43] CULT. COMBINAT. (6)

 [NOTA : ao passar este texto do programa em que inicialmente o escrevi para aqui resultaram infrutíferas todas as tentativas, muitas, para conservar devidamente os dois tamanhos de letras que utilizei (texto principal e notas). Além disso, ocorreram mudanças de linha fora de propósito, perda de parágrafos, etc.. Cansado de tantos insucessos, resolvi publicar o texto assim mesmo. Peço ao leitor a paciência de imaginar como ele seria sem estes percalços.]

 

 

 (Continuação) 

 

 

É a altura de retomar o folhetim. Hoje vou relacionar a C.C. com uma noção central nas várias vertentes das Ciências Sociais e Humanas : a de aprendizagem. Mas antes uma advertência.

[Como não sei meter notas de rodapé nos textos do computador, vou utilizar, como estou a fazer neste  momento, notas entre [ ] e em letra mais pequena, intercaladas no próprio texto principal.]

Se recuarem até ao p. [32] : C.C. (3) [no folhetim, vou passar a designar os posts simplesmente por p. -- creio que não haverá confusão com página, também designada habitualmente por p. , porque o contexto se encarregará de a evitar ] verão que nele refiro dois exemplos de questões em que se pode aplicar o conceito de C.C. : a educação e as migrações. É óbvio que as combinatórias culturais em causa nas duas situações não são idênticas. A diferença resulta essencialmente do grau de formalização dos dois processos, muito grande, comparativamente, no caso do ensino escolar e muito escasso (mesmo quando se recorre a aulas de português para estrangeiros) no caso da combinatória cultural dos imigrantes. 

.[Aqui não resisto a indicar um livro seminal, que trata da controvérsia entre dois gigantes: PIAGET e CHOMSKY. A referência é Centre Royaumont pour une science de l’homme, Théories du langage, théories de l’apprentissage.]

 

 

Aprendizagem, portanto. O que traz como consequência que, ao falar de CC. CC. se não pode esquecer tudo aquilo que se sabe acerca dos mecanismos da aprendizagem. Dir-me-ão : porquê, então, usar um conceito diferente ? [Sobre a noção de aculturação já me expliquei brevemente no C.C.(2). O que não quer dizer que não volte a ela mais adiante} Porque é necessário não perder de vista o carácter muito abrangente e sistémico da noção de cultura : trata-se de um “conjunto ligado” de maneiras de pensar, sentir e agir.

 

 

 

Para dar um exemplo dessa abrangência, podemos recorrer de novo à temática da educação. Com efeito é frequente, quando se fala dos mecanismos de ensino/aprendizagem, recorrer-se, no calão académico, ao "sistema KSA" (entenda-se knowledge, skills and attitudes). Por aqui se vê que, se o processo educativo faz certamente parte do sistema cultural, este é mais vasto do que aquele e bastante mais complexo.  

 

De resto, a noção de cultura, neste sentido antropo-sociológico do termo, já entrou na linguagem corrente. Veja-se, p. e., a forma como neste momento se fala de “cultura de empresa” [embora, em rigor, nesse caso, se devesse falar de sub-cultura e não de cultura -- mas deixemos essa distinção para outra ocasião]. E variados textos sobre educação, nomeadamente quando abordam problemáticas ligadas às comunidades migrantes ou a outras minorias étnicas, referem-se ao multiculturalismo e/ou ao interculturalismo, envolvendo, quer a cultura nesse sentido, quer, como não podia deixar de ser, toda a vasta gama de questões relativas à aprendizagem, para as quais hoje chamei a atenção.

 

Recue-se até à socialização infantil. Ela, que começa ao nascer, é desde o início uma combinatória cultural. De início com os pais ou a família mais próxima, depois com a creche, o infantário, o pré-escolar, a escola (não me estou a esquecer de quem diz que a escola serve não para aprender mas sim para desaprender…) os resultados vão sendo sempre múltiplos estados de C.C., em que vão variando os factores em jogo no processo. Estes, como é óbvio, não são só culturais. Mas que estes estão sempre presentes lá isso estão. E formam uma combinatória porque são sistémicos.

 

Terminando, por hoje. Todo o nosso quotidiano está recheado de combinatórias. A maior parte das vezes são micro. Mas nem sempre assim é.

  

 

(Continua)

 

 

 


 

publicado por Transdisciplinar às 05:52
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Domingo, 4 de Maio de 2008

[37] CULTURA COMBINATÓRIA (5)

 

 

 

 

(Este é o terceiro post da série que iniciei, com o mesmo título, há vários dias. Permito-me sugerir, a quem por acaso venha a deparar-se com este em primeiro lugar, a leitura dos dois anteriores, por forma a permitir uma melhor inteligibilidade dos conceitos em causa.)

 

 

 

 

Trata-se, portanto, aqui, de abordar o desenvolvimento e as aplicabilidades da díade conceptual que proponho : “cultura(s) combinatória(s) / combinatórias culturais”.                  

Se tivermos em conta que os elementos que estão em jogo nessas combinatórias são os traços culturais e, portanto, maneiras de pensar, sentir e agir, teremos a noção da complexidade sistémica que se encontra em causa. Isto mesmo no caso mais simples que é o da socialização infantil em ambiente cultural estável. Se formos para situações mais adversas, como seja a da aquisição de uma cultura combinatória em idade adulta, em circunstâncias, por exemplo, de migração entre sociedades ou estratos sociais  muito diferentes, deparamo-nos com conjunturas muito mais complexas, em que são frequentes relações de conflitualidade entre elementos culturais distintos, podendo-se chegar a clivagens entre as diversas culturas em presença. Quero com isto dizer que o indivíduo ou grupo em questão podem não conseguir aceder a uma cultura combinatória suficientemente integrada, podendo viver com “duas culturas” e recorrendo a uma ou à outra consoante as situações em que se encontram.

 

(A continuar).

 

publicado por Transdisciplinar às 22:58
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[36] CULTURA COMBINATÓRIA (4)

(Sobre a minha disposição não digo mais nada. Ver os meus dois posts anteriores. O COMPUTADOR NÃO HÁ-DE VENCER-ME !! )

 
 

 

    Recebi encorajamentos suficientes para continuar a escrever sobre o tema. Mas deixo alguns "avisos à  navegação" :

--  Como tenho  muito material  acerca da questão, está fora de causa tratá-la num só post . Vou optar por uma espécie de "folhetim" por episódios. Cada um terá uma dupla numeração. À esquerda, a que recentemente adoptei para todos os meus posts e que aparece entre [   ]  e  à direita, entre (  ), a que se refere a esta série.
 

-- Quem tiver interesse em recuar até ao início do folhetim encontra os links dos dois   primeiros quase no início da lista "Posts recentes" ( banda esquerda do blog, abaixo da lista de "Tags").

-- Já a seguir vou publicar um post que escrevi logo a seguir a esses mas que, por desânimo, não editei nessa ocasião, e que,recentemente vim a encontrar ao rever os meus arquivos do Word.
 

-- Dada a natureza recorrente da expressão "cultura combinatória" vou deixar de escrevê-la por extenso e usar a sigla C.C..Mas, para evitar confusões (a sigla seria a mesma) vou ter de continuar a escrever "combinatórias culturais" -- talvez use abreviaturas...


 

 

    E por aqui me fico,por agora. Só espero não estragar tudo, outra vez, ao clicar em Publicar...
 

 

sinto-me: Aliviado
publicado por Transdisciplinar às 21:11
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

[32] CULTURA COMBINATÓRIA (3)

    Hoje não cito. Volto a escrever. E retomo o tema, que foi o dos  quase primeiro"posts", das «cultura(s) combinatória(s)/combinatórias culturais».

    E porquê ? Em primeiro   lugar ( perdoe-se me o egocentrismo ), porque ninguém os comentou, quando o que eu queria era provocar o debate de ideias. Em segundo lugar, porque continuo a pensar que aquelas noções são aplicáveis, com vantagens, para o entendimento de questões tão relevantes para a(s) nossa(s) sociedade(s) como, por exemplo, as da educação ou das migrações. Estas, de resto,  tanto com e -- que já nos    tocou muito ( e que continua a tocar, agora, de resto, com outros contornos  a somar aos  antigos )  -- como com i ( que é causa de grandes preocupações ). Tudo isto deixando de lado, para já, problemas como  os das relações entre 1ª e 2ª gerações, que abordarei mais tarde.

    Como se vê, não é despiciendo colocar as questões das culturas. Dir-me-ão : mas para quê usar novos termos em vez daqueles que já estão consagrados ? A minha resposta é : porque vale a pena re-conceptualizar  a abordagem dos problemas quando isso ajuda à compreensão das suas configurações actuais ( e passadas ) à luz de instrumentos diferentes dos habitualmente utilizados.

    Para um simples "post" este texto já vai longo ( e ainda não disse nada de substancial ). Fico-me, pois, por aqui, agora, prometendo continuar    (quem tiver curiosidade pode, de resto, ir  ver os meus "posts" do início do blogue ).

publicado por Transdisciplinar às 17:58
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