Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

[58] Ainda sobre o Dharma (8)

 

       Continuo com Pema  Chödrön. 

 

       Um poema de Trungpa Rinpoché (...) diz mais ou menos isto : « O  budismo não vos diz o que é falso e o que é verdadeiro, mas encoraja-vos a encontrá-lo por vós próprios. Aprender a não ser nem demasiado tenso nem demasiado relachado é uma viagem pessoal no decurso da qual se descobre a maneira de encontrar o nosso próprio equilíbrio.(...)».

       Adoptar pontos de vista extremos é uma experiência muito comum ; e não é frequente que se encontre o meio-termo.

        (...) A vida é uma viagem feita de encontros incessantes com os nossos limites..

 

       Esta manhã vou falar-vos do tonglen, a prática que consiste em «dar e receber». (...) Quando se faz o tonglen, convida-se o sofrimento. É o que nos abre os olhos (...) : ver o sofrimento, ver o prazer, tudo ver com doçura e precisão, sem fazer julgamentos, sem nada afastar, tornar-se mais receptivo.(...) Fazendo esta prática despertamos o nosso coração e despertamos a nossa coragem.Quando digo «despertar o nosso coração», entendo que temos a vontade de não cobrir a parte mais terna de nós próprios.

        A bodhicitta caracteriza-se pela doçura, a precisão, a abertura, a capacidade de simplesmente largar-de-mão e de se abrir. O tonglen tem por objecto específico despertar ou cultivar a bodhicitta, despertar o coração ou cultivar o coração corajoso. É como regar uma semente que pode florescer.(...) O que se passa verdadeiramente, é que o que estava lá desde sempre é descoberto. Praticar o tonglen varre para longe a poeira que recobria o tesouro que estava lá desde sempre.(...) Toda a gente tem isso, mas nem toda a gente tem a coragem de o fazer amadurecer.(...) Fazer o tonglen é um movimento para a maturação da nossa bodhicitta, para a nossa felicidade e para a dos outros.(...).

       Tudo aquilo de que necessitamos para fazer o tonglen é ter feito a experiência do sofrimento e a da felicidade.

 

(Segue-se a explicação da técnica propriamente dita das etapas da prática do tonglen. Está fora de questão expô-la aqui.)

 

O capítulo seguinte  é todo ele dedicado ao "tomar refúgio" nas chamadas três jóias. No post anterior (da série) já lhe fiz referência, a propósito do nome tibetano de Pema Chödrön.`É suficientemente importante  para lhe dedicar um post próprio. De modo que, por agora, fico-me por aqui. 

 

      

publicado por Transdisciplinar às 11:31
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7 comentários:
De outraidade a 12 de Junho de 2008 às 19:48
Cada vez fico mais fascinada com esta visão oriental. Numa conversa desta madrugada comentava com alguém que, na cultura judaico-cristã (disseminada pelo Ocidente) nos educam num jogo do bem e do mal pelo qual se será compensado ou penalizado. Sempre tendo em conta um "Deus" que nos habituamos a temer e por essa fé regemos os nossos padrões de vida sem a descoberta de nós próprios.


De Transdisciplinar a 12 de Junho de 2008 às 20:12
A descoberta de nós próprios é justamente um dos cernes do budismo (e, de resto, das outras sabedorias orientais). Mas se fica fascinada com estas escassas citações de um modesto transdisciplinar ocidental, talvez o melhor para si seja procurar (ligo tanto à noção de "busca"...) algo de mais substancial. Se assim o entender, tem-me à sua disposição para aquilo de que eu seja capaz.
:))


De mia a 12 de Junho de 2008 às 21:01
Tenho andado a tentar praticar meditação. Ainda não me saio muito bem, talvez porque tenho andado a fazer uma aprendizagem solitária e não muito continuada. Por vezes tenho medo, mas já vou conseguindo deixar que passem por mim todos os sentimentos, sem agitação e com alguma naturalidade. Gostaria de ter mais tempo para aprender e espero, num prazo não muito longo, ser mais dona do meu tempo. Entretanto, ler com atenção aquilo que aqui transmite é um começo de aprendizagem. Mais uma razão para justificar o seu trabalho. Muito obrigada mais uma vez.


De Transdisciplinar a 13 de Junho de 2008 às 01:23
Não sei que tipo de meditação tem tentado praticar. Pela muito breve descrição que faz não me parece estar a fazer nada de errado. Mas é costume dizer-se que a meditação só se aprende de facto com um mestre ou, pelo menos com alguém já treinado. (E não é certamente pela leitura de um blog que pode aprender a meditar.) Se já está a tentar , isso significa que está motivada. Trata-se então de encontrar um grupo com quem se sinta em sintonia e de aprender com a pessoa mais qualificada desse grupo. Quando eu comecei, reunia semanalmente com um grupo, meditávamos segundo as regras, trocávamos ensinamentos e livros. Depois cada um fazia a sua meditação quotidiana em casa.
Não vejo como ajudá-la verdadeiramente num comentário num blog. Mas posso indicar-lhe lugares, se quiser, e poderá ver onde é que sente maior sintonia. Porque a sintonia é muito importante.
Acima de tudo encontre-se a si própria. no seu interior.
Sempre ao seu dispor (segundo os meus votos de bodhisattva ...).


De mdsol a 13 de Junho de 2008 às 21:00
José_Carlos:
Tome como um enorme elogio: vir aqui é muito melhor do que ir a um SPA!
Obrigada
:)))


De Transdisciplinar a 14 de Junho de 2008 às 00:22
E é um enorme elogio ! Só que nunca me tinha passado pela cabeça compararem-me a um SPA ...Mas a ideia tem imensa piada.
:)))


De mdsol a 14 de Junho de 2008 às 01:32
Pois tem!
rsrsrs
:))))


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