Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

[52] Re-baldaria...

 Tomei-lhe o gosto. Ontem parei -- tinham sido muitas noitadas para a minha idade -- mas hoje retomo. Manda a verdade dizer que encorajado pelos comentários. Sem eles teria parado e voltado aos posts mais sisudos. (Não é que estes sejam hilariantes -- para isso falta-me por completo o jeito )  Mas sempre são mais "soltos".

Há bocado estava a pensar que estes me fazem lembrar o que eu chamava as "aulas selvagens", em que punha de lado o programa e, dando soltas à imaginação, discorria em debate com os alunos, sobre os temas (havia um limite : eram temas da disciplina) que me vinham à cabeça a propósito de qualquer coisa que tivesse acontecido.

Acrescente-se que esses limites eram latos. A sociologia. misturada com a epistemologia mais a veia transdisciplinar, dão para quase tudo. Sobretudo quando uma pessoa não se importa de ser classificada de marginal , ou desviante, ou excêntrica...Eram aulas muito divertidas, para mim e creio que também para os alunos (pelo menos a julgar  pelas conversas que tinha com alguns depois das aulas).

 

Chega de memórias e voltemos aos posts. Há uma coisa que me deixa espantado. É que ninguém agarrou o desafio que deixei bem expresso entre Ocidente versus Oriente, ou mais exactamente entre pensamento de uma e outra origem. Será que com esta chamada de atenção alguém se vai pronunciar sobre o assunto ? (Manda a verdade que se diga que uma das minhas "amigas" se referiu às  filosofias de vida : provavelmentene era nisso que estava a pensar.)

 

Voltando à blogosfera. É muito curioso como em pouco tempo me sinto "aconchegado" por um pequeno círculo de "amigos" que nos entre-comentamos. E não devia dizer "amigos" mas sim "amigas" porque, curiosamente, sâo só mulheres, Não que o tenha feito de propósito. P. ex. estou-me a lembrar dum caso em que pelo perfil , que era nulo, eu nem sequer sabia se era homem ou mulher ao comentar o post que levou ao estabelecimemto do "laço". Noutro caso era um homem, cujo post comentei e que me respondeu. Continuo a "espreitar" o post dele, mas nenhum de nós se sentiu inclinado a "adicionar-se".  É verdade que ultimamente deixei de percorrer posts do SAPO à balda a ver o que vem à rede. Mas lá que isto me faz pensar, faz. Talvez tenha que ver com os motivos que levavam, nos tempos áureos, algumas amigas minhas a chamarem-me "feminista honorário"...O que acharão disto as minhas "amigas" do blog ?

 

Passando à política : estou muito curioso em ver até onde vai o Manuel Alegre. E quanta rédea livre lhe deixa o partido. O meeting (por enquanto prefiro não lhe chamar outra coisa) do Tindade foi uma jogada pesada. Alegre, Roseta e Louçã (mais os restantes...) que futuro ? Segundo li, Saramago desvaloriza -- o que não é de espantar. E os que foram votantes de Alegre nas presidenciais, como estarão a reagir a estas movimentações ? Provavelmente, valerá a pena ver amanhã a entrevista de Judite de Sousa a seguir ao Telejornal.

Quanto ao PSD, só me dá vontade de rir. Nem foi preciso esperar : já cá estão as desavenças. De tão partido não há cola que lhe valha. Nem a da já avó.

 

Já chega. Vou ver um bocado de AXN para descontrair. Até amanhã-

 

 

 

publicado por Transdisciplinar às 16:35
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11 comentários:
De soflor a 5 de Junho de 2008 às 07:44
Olá, li e reli mas confesso que não vi o teu desafio entre o ocidente e o oriente... vamos ver se percebi..se a filosofia do budismo é responder questionando-se a si próprio... é um circulo fechado para ti ou será que ao divulgares o budismo assim como a filosofia ocidental eu leio e questiono-me a mim própria ?! desculpa a incoerência do texto... eu sou católica porque aasim me baptizaram mas não acredito em Deus, seja ele qual for. Até gosto mais da filosofia oriental do que da ocidental talvz porque a ocidental me parece imposta e a oriental para eu mesmo questionar. Apesar do meu total desconhecimento acerca destes assuntos a minha humildade permite-me aqui deixar estes pensamentos que até podem ser alvo de risos mas tinha de tos comunicar, nem que fosse uma maneira de te "provocar " em postar algo sobre este assunto mas com as tuas palavras para ser de mais fácil leitura para mentes ignorantes como a minha.

Beijinhos....


De Transdisciplinar a 5 de Junho de 2008 às 10:49
Olá, minha querida Soflor .
Menosprezas-te constantemente (és ignorante, não percebes nada dos assuntos, és alvo de risos, etc.,etc.) Ora nada disso é verdade. Vê-se, p. ex. nas escolhas que fazes dos autores que tanto citas.
Não te auto-deprecies . Continua a citar, se isso te dá prazer -- e dás a conhecer aos outros muita coisa interessante -- mas escreve também por ti própria. Com os comentários longos que ultimamente me tens feito mostras bem que o podes fazer. Vá lá : um pouco mais de confiança em ti própria !
:) :)


De Transdisciplinar a 5 de Junho de 2008 às 11:25
Com a minha preocupação com a tua auto-confiança , deixei de lado o ponto Oriente/Ocidente.
Falta-me a competência suficiente para ser mestre de quem quer que seja. Mas se vires a lista dos meus" Posts Recentes" (banda esquerda do meu blog, abaixo das tags ) encontras logo no princípio um chamado "Budismo", outro "Máximas búdicas" e depois a série "Ainda sobre o Dharma ".
Começa por aí e depois logo veremos...
De novo :) :)


De outraidade a 5 de Junho de 2008 às 20:59
A provocação resulta. Eu fiquei á espera que continuasse com o tema que, para mim, é muito apetecível. Há na cultura oriental uma profundidade banhada de muita contemplação, de uma serenidade mística que desconcerta os ocidentais. Nós queremos ver, tocar, discursar, catequisar. Perdemo-mos nessa forma materialista de estar na vida, inconformados com o que não temos e impacientes com o que não compreendemos. O oriental sente o calor, a luz e a energia do sol como uma benece da natureza; o ocidental aproveita logo para besuntar o corpo e torrar-se que nem uma lagosta.
Quanto á sua costela feminista, deixe-me considerá-lo um bafejado. É que não é tão fácil assim conseguir entrar no universo das mulheres que tem o seu quê, até para nós próprias. Questões de género?
Quanto ao Manuel Alegre, vou primeiro ver a entrevista e depois poderemos trocar opiniões.



De Transdisciplinar a 5 de Junho de 2008 às 23:57
Muito obrigado, OUTRAIDADE , pelo seu longo comentário. É sempre reconfortante ver que o que se escreve não cai em saco roto. Quanto ao budismo, remeto-a para a resposta que neste meu post , tal como está actualmente , antecede imediatamente o seu comentário. Se não me atrevo a ir muito mais longe, é por causa do preceito que instiga os budistas a não fazerem proselitismo.
Mas acho que lhe posso contar algumas coisas (dado o seu interesse).
Para mim, tudo começou com uma coisa a que chamei "crise", que deu lugar a uma "busca", que deu lugar a chegar onde estou agora. Até tenho um nome tibetano (que me foi dado pelo meu lama-raiz , quando "tomei retiro" -- mais tarde fiz outros votos e, neste momento, sou um aprendiz de bodhisattva ").
Não sei se estou a maçá-la com tantos pormenores. Mas tem mostrado tanto interesse pelo orientalismo que me sinto melhor "abrindo o jogo" consigo.
Li muito sobre o budismo (além da prática que lhe está associada). E o que sinto é que eu já era budista sem saber que o era. É evidente que aprendi muito. Mas o cerne já cá estava . Só que não tinha nome.
Acho que me abri demasiadamente. Mas agora já está e vai mesmo assim. fico impaciente pela sua resposta.
:))


De outraidade a 6 de Junho de 2008 às 13:40
Agradeço a partilha. Eu sou, para já, uma curiosa atenta. Assisti a uma conferência onde se fez uma abordagem à doutrina budista. Uma das coisas ditas que destaco agora, a propósito do seu comentário, é que há pessoas que, naturalmente, têm os seus sentidos físicos mais apurados o que lhes dá uma sensibilidade maior para se deixarem transportar para uma dimensão espiritual. Será assim?


De Transdisciplinar a 6 de Junho de 2008 às 17:56
Pela parte que toca, não foram os sentidos físicos que me levaram ao budismo (e eu sempre dei uma grande importância ao corpo -- até fiz ballet...), Por outro lado, nunca fui católico (o meu pai era anarco-sindicalista), o que nunca me colocou nenhum problema. Mas a minha "busca" foi claramente espiritual, embora não fosse uma busca de um Deus. Uma das coisas que me atrai no budismo é justamente não ter Deus. Mas que o budismo envolve a pessoa inteira, envolve (basta ver a importância da postura e da respiração na meditação).
Volto ao que me parece o mais importante : eu já era budista (prefiro búdico, por causa dos ismos ) antes de me considerar como tal. O que mudou foi encontrar o dharma e o sangha (a comunidade).


De mdsol a 5 de Junho de 2008 às 22:47
Mas que post bem disposto! Também sabe bem, não é? Descontrair um pouco! Quanto à questão que coloca, pertinente, nem sei que lhe diga. Possivelmente as mulheres têm mais jeito para escolher as companhias ...rsrssr
:))


De Transdisciplinar a 6 de Junho de 2008 às 00:17
Olá MDSOL ,
Ora ainda bem que acha bem disposto !
Quanto ao jeito : não será que ele é recíproco ?
Retribuindo : rsrssr +


De adignidadedadiferenca a 6 de Junho de 2008 às 00:58
Conforme o prometido, cá cheguei. Ando a apalpar terreno, mas a minha participação vai começar, porque o que tenho lido despertou-me bastante interesse. Um abraço


De Transdisciplinar a 6 de Junho de 2008 às 02:46
Não percebo. Respondi ao seu comentário e agora ao voltar ao post não a encontro . Será que me esqueci de clicar em Publicar ? Por favor, diga-me alguma coisa a este respeito.
Um abraço.


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